O MPE 2026 aconteceu recentemente em Berlim, maior do que nunca, com uma programação repleta de atividades. A Consult Hyperion, empresa de consultoria da Fime, mantém uma longa relação com o MPE. Dave Birch preside o evento há muitos anos, enquanto Arnaud Crouzet e eu moderamos painéis e mesas redondas, além de fazermos parte do prestigiosojúri do MPE Awards. Nos dedicamos muito ao MPE e tiramos muito proveito disso. É, sem dúvida, meu evento favorito do ano na área de pagamentos.
Painéis de liderança e de abertura
Este ano, Ruth Wandhofer foi presidente da MPE e desempenhou um excelente trabalho, especialmente na primeira sessão de painel, que deu o tom para a conferência deste ano. A discussão abordou o papel da IA, os pagamentos internacionais, a ascensão das stablecoins e o avanço e o impacto de um euro digital. O primeiro painel preparou o terreno para o comércio do futuro.
Mais tarde naquele dia, Dave Birch participou de um interessante painel de discussão sobre“Stablecoins: Entrando em operação discretamente”. Com Eric Tak no painel, talvez o tema devesse ter sido“Moedas digitais entrando em operação”. A discussão se concentrou nos problemas que as moedas digitais estão resolvendo atualmente, como elas se encaixam no ecossistema moderno de pagamentos e para onde elas nos levarão no futuro, especialmente com IA / Agentic.
É gratificante constatar que muitos desses temas-chave do MPE — Comércio Agente, Resiliência, Moedas Digitais e Pós-Quântico — são áreas nas quais a Consult Hyperion já está auxiliando nossos clientes.
Comércio agênico: insights do mundo real
O que é excelente no MPE é a qualidade do conteúdo, sem apresentações de marketing e com uma visão genuína do setor. Especialmente no contexto do comércio agênico, onde a discussão não girou em torno do hype, mas abordou casos de uso do mundo real e levantou questões críticas. Isso incluiu diversos padrões concorrentes, a falta de confiança e preocupações com a estrutura de responsabilidade. O comércio agênico está avançando, com a participação humana no processo, mas, à medida que nos voltamos para um futuro sem a participação humana, as questões a serem resolvidas aumentam, incluindo como capturar a intenção inicial do usuário, o que está ganhando destaque.
Inovação pragmática no setor de pagamentos
Arnaud Crouzet participou de um painel com foco na inovação pragmática, moderado por Paul Rodgers, da Vendorcom. O debate abordou como modernizar as pilhas de tecnologia, proporcionando eficiência e resiliência ao sistema de pagamentos de uma organização. Encontrar o equilíbrio certo entre tecnologias legadas e emergentes, e qual estratégia adotar para construir uma infraestrutura de pagamentos eficaz, é uma questão fundamental para muitos de nossos clientes que estão atualizando e adaptando suas pilhas de pagamentos.
Ao mesmo tempo em que Arnaud participava de seu painel, eu moderei um painel sobre apróxima geração de tokens. Patricia Ferrer , da Mastercard, e Ali Jaffal , da Worldline, deram o tom com palestras sobre o que a Mastercard e a Worldline estavam fazendo para acelerar a tokenização, além de abordar algumas das principais questões. Patricia e Ali foram então acompanhados no painel por Jack Mangnall , da Shape, e Daniel Foster , da Adobe.
O painel apresentou o panorama atual da tokenização, o crescimento das carteiras digitais e a tendência em direção à tokenização de rede para transações nas redes de pagamento. Ainda há desafios, especialmente em relação ao roteamento de menor custo (Least Cost Routing), em que as operadoras de aquisição precisam trabalhar tanto com PANs quanto com tokens para viabilizar um roteamento favorável; certamente deve haver uma maneira melhor. A meta da Mastercard de eliminar os PANs do comércio eletrônico até 2030 gerou uma discussão interessante sobre fraudes, o papel dos tokens, o Click to Pay e outras carteiras digitais, todos voltados para eliminar a necessidade de os clientes digitarem seus PANs e os benefícios que isso traria.
O papel da tokenização no comércio agênico é considerado fundamental, pois precisamos garantir que apenas agentes legítimos, que estejam cumprindo instruções válidas, estejam iniciando transações. Há muito trabalho a ser feito nessa área, mas as bases já estão estabelecidas. Há muito a se aprender sobre tokenização, e o painel proporcionou ao público insights valiosos e orientações práticas.
Infraestrutura preparada para a computação quântica
De alguma forma, a MPE consegue conciliar uma agenda lotada com bastante tempo para networking e discussões com colegas antigos e novos. O painel final da conferência, antes de Ruth subir ao palco para as discussões sobre os resultados do evento, contou novamente com a participação de Dave Birch, desta vez abordando o tema“Preparando os pagamentos para o futuro com infraestrutura pronta para a tecnologia quântica”. Moderado por Julia Streets (que também apresentou o MPE Awards ao lado da presidente do júri, Neira Jones) e com a participação de Rebecca Krauthamer , da QuSecure, e Hanna Engel , uma MVP da Microsoft e representante do Quantum Circle. A sessão abordou tudo sobre a tecnologia quântica, desde a compreensão (bem, quase) do que é a tecnologia quântica, as ameaças que ela pode representar para a segurança dos pagamentos e alguns conselhos práticos sobre o que fazer — afinal, não fazer nada não é uma estratégia sensata.
Perspectivas para o futuro
Mais três dias enriquecedores e fascinantes em Berlim, no MPE, chegaram ao fim. No ano que vem, a Empiria Events completará 20 anos organizando essas conferências, e eles realmente fazem um excelente trabalho; por isso, o 20º aniversário deve ser especial. Estou ansioso para ver todos vocês lá.